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7 de abril de 2014
Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
[Carlos Drummond de Andrade, Mãos dadas]
31 de março de 2014
O mais que perfeito
Ah, quem me dera ir-me
Contigo agora
Para um horizonte firme
(Comum, embora…)
Ah, quem me dera ir-me!
Contigo agora
Para um horizonte firme
(Comum, embora…)
Ah, quem me dera ir-me!
Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que não presumes…
Ah, quem me dera amar-te!
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que não presumes…
Ah, quem me dera amar-te!
Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais: cuidado…
Ah, quem me dera ver-te!
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais: cuidado…
Ah, quem me dera ver-te!
Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te…
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te…
[Vinícius de Moraes, O mais que perfeito]
18 de março de 2014
Aquele era o tempo
Em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam,
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acesos.
Em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam,
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acesos.
Marinheiros perdidos em portos distantes,
Em bares escondidos,
Em sonhos gigantes.
E a cidade vazia,
Da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto.
Em bares escondidos,
Em sonhos gigantes.
E a cidade vazia,
Da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto.
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam,
Em que homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro.
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta.
Em que as sombras se abriam,
Em que homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro.
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta.
Quem leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem leva os meus fantasmas?
De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?
[Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas]
6 de fevereiro de 2014
Que ninguém implore amor, nem afeto, nem mendigue qualquer sentimento que exige um pedaço do outro. Viver de migalhas, jamais. Soma-se de coisas que te façam bem, ignore qualquer tipo de sentimento que te subtraia. Antes de aprender a amar o outro, amemos a nós primeiro e se for implorar por amor, que seja por amor próprio.
17 de outubro de 2013
É preciso aprender a viver só, aprender a fazer silêncio, para poder conviver com o outro, porque dentro de cada um mora uma grande solidão.
Há um lugar dentro da gente que ninguém vai, somente nós.
E nem nós mesmos sabemos como é esse lugar.
Então temos que aprender a respeitar a solidão do outro
e a nossa própria solidão..."
15 de outubro de 2013
10 de outubro de 2013
Nós nunca saberemos se no dia de amanhã vamos ter que viver com o que temos, com mais ou com menos, mas se aprendermos a viver com o que é essencial, viveremos sempre bem.
Quem sabe viver com pouco, sempre saberá viver em quaisquer situações, mas aqueles que só sabem viver com muito, nas mínimas provações e ausências irão sofrer e se desesperar. Esses últimos se confundem com seus excessos, e na falta deles, não se reconhecem.
Abandone o que não faz sentido, não faz diferença, não faz falta e não faz bem. Mantenha somente o necessário, o que agrega!
Todo excesso é energia acumulada em local inapropriado, estagnando o fluxo da vida. Excesso de excessos corresponde à falta de si mesmo. E se o que te falta é você, nada poderá preencher esse vazio...
Carlos Hilsdorf
8 de outubro de 2013
''Eu espero que a vida te surpreenda e que você não se prenda, não se acanhe, não duvide. Porque
parte das coisas boas vem das lutas, mas a outra parte vem sem avisar. Eu desejo que os dias te peguem desprevenido, desajeitado, despreocupado. Afinal, o que não foi programado também funciona, nem toda ação inesperada merece ser descartada e algo não planejado pode vingar.
A regra às vezes é não ter regra. E via de regra, funciona!''
Fernanda Gaona
29 de setembro de 2013
"O que é perfeito? Perfeito pode ser um choro, ou um sorriso. Perfeito pode ser viajar, ou ficar em casa. Perfeito pode ser um momento, ou uma vida inteira. Pode ser um beijo, um AMOR de muitos anos. Perfeito sempre é o seu. É o que não é esperado, ou o que é muito esperado. Perfeito é a forma que dura muito, ou a que não dura nada. É o que você vê, ou o que não vê. Perfeito pode ser ensaiado, ou improvisado. Pode ser o doce, ou pode ser salgado. Perfeito pode ser uma palavra, ou um número. Perfeito é tudo aquilo que nos faz bem e que sem saber porquê, a gente reconhece na hora... "
16 de setembro de 2013
Um setembro mais suave...
"É que de vez em quando toca aquela música que você adorava, e nas noites de insônia eu a canto mentalmente, nisso sinto o seu abraço e tenho bons sonhos. Aos poucos você vai se apagando das minhas lembranças, às vezes você é um borrão acinzentado... Quando isso acontece, (re) vejo fotos de um setembro mais suave, e nisso caem lágrimas involuntárias de meus olhos, meu coração fica pequeno... é nessas horas que eu sinto o seu perfume. Porque faz muito tempo que tudo que eu escrevo e penso se resume a você. Não sei mais dizer se meus gostos são realmente meus, ou se agora misturam com os seus. Certas noites, eu penso em você. E fico pensando assim... porque tivemos o nosso fim? Afinal, cada texto que eu leio e cada poesia que aqui escrevo é uma forma calada de te dizer que ainda penso em ti."
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